Dor no joelho? Saiba o que é a Síndrome de Hoffa e como a Fisioterapia pode ajudar - Clínica das Conchas | Medicina, Fisioterapia e Exercício Físico

Dor no joelho? Saiba o que é a Síndrome de Hoffa e como a Fisioterapia pode ajudar

Dor no joelho? Saiba o que é a Síndrome de Hoffa e como a Fisioterapia pode ajudar
30.06.2026

A gordura infrapatelar (IFP), também conhecida como corpo adiposo infrapatelar ou almofada de Hoffa, atua como um amortecedor mecânico e guia o tendão patelar e a patela durante os movimentos de flexão-extensão do joelho.

A síndrome de Hoffa, ou hoffite, é caracterizada por inflamação, hipertrofia e fibrose da IFP, geralmente em resposta a trauma repetitivo, resultando em dor anterior no joelho.

A IFP é ricamente inervada e vascularizada, o que a torna uma fonte potencial de dor infrapatelar e contribui para processos inflamatórios na osteoartrite do joelho.

  • Função e Patofisiologia da IFP

A IFP é uma estrutura que preenche o compartimento anterior do joelho, servindo como amortecedor mecânico e protegendo os tecidos adjacentes.

Em resposta a stresse excessivo repetido, a IFP pode sofrer inflamação e inchaço, seguidos por uma reação fibrótica e transformação em tecido fibroso, cartilaginoso ou ósseo. Essa inflamação e fibrose podem levar a lesões como a síndrome de Hoffa, cicatrizes do intervalo anterior e síndrome de contratura infrapatelar.

A IFP é considerada um tecido articular ativo na osteoartrite (OA) do joelho, libertando substâncias que promovem inflamação sinovial, degradação da cartilagem e remodelação óssea subcondral.

  • Manifestações Clínicas e Causas

Pacientes com patologia da IFP tipicamente apresentam dor anterior no joelho, que pode ser reproduzida ao exame físico com manobras que provocam impacto. A dor na síndrome de Hoffa é o sintoma mais comum, caracterizada por inflamação, hipertrofia e fibrose da almofada.

As causas mais frequentes de dor na IFP incluem microtraumas locais repetitivos, impacto e cirurgia, que podem levar a sangramento e inflamação local, resultando em várias lesões. A IFP também pode ser secundariamente envolvida em distúrbios dos meniscos e ligamentos, lesões do tendão patelar e distúrbios sinoviais.

Achados de ressonância magnética (RM) como edema ou outras anormalidades na IFP são frequentemente observados em pacientes.

 

Avaliação em Fisioterapia para a Síndrome de Hoffa

História Detalhada e Características da Dor: A síndrome de Hoffa, ou inflamação da gordura infrapatelar (IFP), é uma causa de dor anterior no joelho, que pode ser do tipo ardente ou dolorosa. A dor infrapatelar pode ser reproduzida no exame físico com manobras que provocam impacto (3). A condição pode ser aguda ou crónica, frequentemente resultante de microtraumas repetidos que levam a alterações inflamatórias, hemorrágicas e fibróticas.

Exame Físico e Alinhamento dos Membros Inferiores: A patologia da IFP pode ser avaliada através de manobras que produzem impacto (3). O tratamento pode incluir a melhoria do controlo dos membros inferiores e da congruência patelar através de exercícios de quadrícipete em cadeia fechada (3). O treino do glúteo médio e o alongamento da anca anterior podem ajudar a diminuir a rotação interna da anca e a força em valgo no joelho.

Força e Controlo Motor: A fisioterapia é frequentemente bem-sucedida na gestão da patologia da IFP. Exercícios de quadrícipete em cadeia fechada podem melhorar o controlo dos membros inferiores e a congruência patelar. O treino do glúteo médio e o alongamento da anca anterior podem diminuir a rotação interna da anca e a força em valgo no joelho.

Correlação com Imagiologia: A ressonância magnética (RM) sagital é a técnica de imagem mais comum para avaliar a patologia da IFP, incluindo fibrose, inflamação, edema e lesões tipo massa.

  • Intervenção em Fisioterapia

Objetivos do Tratamento Conservador: O tratamento da patologia da IFP é frequentemente gerido com sucesso através de fisioterapia. Os objetivos incluem a redução da dor, melhoria da função e controlo da recidiva.

  • Estratégias Baseadas em Evidências:
    • Taping Passivo: Utilizado para descarregar ou encurtar uma IFP inflamada.
    • Exercícios de Quadrícipete em Cadeia Fechada: Podem melhorar o controlo dos membros inferiores e a congruência patelar.
    • Treino do Glúteo Médio e Alongamento da Anca Anterior: Pode ajudar a diminuir a rotação interna da anca e a força em valgo no joelho.
    • Treino da Marcha e Evitar Hiperextensão: Usados para gestão a longo prazo.
    • Medicação e Gelo: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) gerais ou locais, gelo e imobilização são parte do tratamento.

 

Falha do Tratamento Conservador: Se a fisioterapia e outras medidas conservadoras falharem, podem ser consideradas abordagens operatórias. A ressecção parcial artroscópica para impacto da IFP e doença de Hoffa tem mostrado resultados favoráveis.

  • Intervenções de Fisioterapia para a Síndrome de Hoffa

As intervenções de fisioterapia para a síndrome de Hoffa, também conhecida como patologia do corpo adiposo infrapatelar, focam-se na gestão da dor, melhoria da função e correção biomecânica.

  • Modulação de Carga e Educação:
    • A gestão da carga e a educação do paciente são cruciais
    • Evitar a hiperextensão do joelho é uma estratégia de gestão a longo prazo
  • Controlo da Dor e Inflamação:
    • A aplicação de gelo pode ser utilizada.
    • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser usados, mas a decisão é médica.
  • Fortalecimento e Controlo Motor:
    • Exercícios de cadeia cinética fechada podem melhorar o controlo dos membros inferiores e a congruência patelar.
    • O treino do glúteo médio e o alongamento da anca anterior podem ajudar a diminuir a rotação interna da anca e a força em valgo no joelho.
    • A terapia com exercícios tem a evidência mais forte para melhorar a dor, a função e a qualidade de vida em condições como a osteoartrite do membro inferior.
  • Correção Biomecânica e Técnicas Auxiliares:
    • O taping passivo é usado para descarregar ou encurtar um corpo adiposo infrapatelar inflamado.
    • O treino da marcha e a prevenção da hiperextensão são importantes para a gestão a longo prazo.
  • Mobilidade Articular e Tecido Mole:
    • A mobilização dos tecidos moles e alongamentos específicos podem ser úteis, desde que não aumentem os sintomas.

Da autoria da nossa equipa de fisioterapeutas

 

Referências:

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