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As fraturas do planalto tibial são lesões complexas que afetam a porção superior da tíbia, envolvendo a superfície articular do joelho. Estas lesões resultam frequentemente de traumatismos de alta energia (como acidentes rodoviários ou lesões desportivas) ou de quedas de baixa energia em indivíduos mais idosos.
Por envolverem a superfície articular, a recuperação funcional do joelho pode ser particularmente exigente. A reabilitação desempenha um papel fundamental neste processo, influenciando a mobilidade, a força e os resultados a longo prazo.
O planalto tibial constitui a parte inferior da articulação do joelho e é essencial para a transmissão de carga e estabilidade articular. Uma fratura nesta região pode:
Os sintomas incluem dor intensa, inchaço (hemartrose), incapacidade de suportar o peso e possível deformidade ou instabilidade do joelho.
O diagnóstico inicia-se habitualmente com radiografias simples, que permitem identificar desalinhamentos, linhas de fratura e sinais indiretos como hemartrose. No entanto, devido à complexidade anatómica da região e à frequência de depressões articulares pouco visíveis no RX, o exame mais determinante é a Tomografia Computorizada (TAC), considerada essencial para avaliar a extensão da fratura, a quantidade de afundamento articular e o grau de fragmentação óssea, sendo também indispensável para planear a abordagem cirúrgica quando necessária.
Em situações em que se suspeitam lesões associadas dos tecidos moles, recorre-se à Ressonância Magnética (RM), que fornece uma avaliação detalhada das estruturas intra-articulares. Em casos de trauma de alta energia, pode ser necessária uma angio‑TAC para excluir lesões vasculares da artéria poplítea.
Tipos de fratura do planalto tibial
A classificação mais utilizada é a Classificação de Schatzker, que divide as fraturas em seis tipos principais, de acordo com o padrão de lesão e o grau de comprometimento articular.
1. Tipo I – Fratura em fenda lateral
2. Tipo II – Depressão + fenda lateral
3. Tipo III – Fratura por depressão pura
4. Tipo IV – Fratura do planalto medial
5. Tipo V – Fratura bicondilar
6. Tipo VI – Fratura com dissociação metafisária
Dependendo da gravidade da fratura, do grau de desvio e das características do doente, o tratamento pode ser conservador (não cirúrgico) ou cirúrgico.
Tipos de intervenção
Técnicas principais:
Papel da Fisioterapia
A reabilitação é um fator determinante na recuperação funcional após uma fratura do planaltotibial.
Mesmo após um tratamento cirúrgico bem-sucedido, podem surgir limitação da amplitude de movimento, fraqueza muscular (especialmente do quadricípite), dor persistente ou rigidez, dificuldade no regresso à prática desportiva ou a atividades exigentes.
A evidência, no entanto, mostra que, embora a maioria dos doentes recupere a autonomia nas atividades do dia a dia, muitos não regressam ao nível de atividade física prévio.
Principais Fases da Reabilitação
1. Fase Inicial (0–6/12 semanas)
Objetivos:
Carga:
Tradicionalmente, recomenda-se ausência de carga ou carga parcial durante 6–12 semanas, especialmente após cirurgia.
Intervenções:
A fisioterapia precoce é essencial para prevenir rigidez e atrofia muscular.
2. Fase Intermédia (6–12+ semanas)
Objetivos:
Intervenções:
3. Fase Avançada (3–6 meses ou mais)
Objetivos:
Intervenções:
O tempo de recuperação varia, mas pode demorar 3 a 6 meses ou mais, dependendo da gravidade da lesão.
A recuperação funcional pode ser incompleta, sobretudo em atividades de maior exigência e o regresso ao desporto é menos previsível. A fraqueza muscular e limitações funcionais podem persistir até 12 meses.
Carga Precoce vs Carga Tardia
Um dos temas mais debatidos é o momento ideal para iniciar carga:
A decisão deve ser sempre individualizada, considerando:
Considerações Finais
As fraturas do planaltotibial são lesões graves com impacto significativo na função do joelho. A reabilitação não é apenas um complemento ao tratamento — é um elemento central na recuperação.
Embora a maioria dos doentes recupere a autonomia, o regresso ao nível de atividade prévio, especialmente no desporto, continua a ser um desafio.
Um programa de reabilitação estruturado e baseado na evidência é a melhor estratégia para otimizar os resultados e a qualidade de vida.
Da autoria do nosso fisioterapeuta David Costa
Referências:
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